Visão estratégica e novas habilidades para as oportunidades da transformação digital na indústria

Capacitação profissional

Por: Márcia Campos

 

Estamos na era da indústria 4.0. Vivemos a transformação digital, fazemos uso intenso de novas tecnologias e acompanhamos mudanças cada vez mais rápidas, tanto no ambiente de trabalho quanto na vida pessoal. Estamos também enfrentando muitos desafios. Um deles é relativo à capacitação profissional na área da automação industrial.

Para o uso adequado e eficiente de novas técnicas e ferramentas de trabalho são necessários novos conhecimentos e visão estratégica. Em especial, projetos longos ou complexos exigem muito planejamento. Nesses casos, o método “aprender fazendo” raramente permite antecipar riscos e pontos críticos, sendo difícil – ou impossível – definir as melhores práticas logo no início, quando ainda é possível fazer ajustes e escolhas sem impacto em prazo, custo ou qualidade.

Considerando as pressões por redução de custos e o volume crescente de tarefas inerentes aos dias de hoje, como reduzir esses riscos? É preciso planejar, usar o tempo não para solucionar problemas urgentes, mas para criar estratégias, identificar pontos críticos e agir preventivamente.

A definição da equipe está inserida neste contexto. Ao iniciar um projeto, é importante conhecer as capacidades necessárias e existentes. Porém, é fundamental identificar as deficiências e as melhores formas de supri-las. Dois caminhos comuns escolhidos por gestores de manutenção e automação industrial são os cursos e a contratação de fornecedores especializados.

Para cursos, recomenda-se:

  • Escolher um treinamento adequado a cada perfil e objetivo. Para desenvolver um projeto, o assunto deve ser estudado com profundidade. Mas, se o objetivo é supervisionar um trabalho, um curso com foco gerencial será mais adequado;
  • Buscar dedicação aos treinamentos. Isolar a equipe ou o profissional durante esse período, evitando desviar sua atenção. Para turmas fechadas, uma solução pode ser agendar cursos em ambientes externos, alugando uma sala em outro local ou usando as instalações do fornecedor;
  • Conferir a qualidade do serviço contratado: buscar referências com outras pessoas, verificar se o contratado é um centro de treinamento autorizado pelo fabricante do produto, conferir a autoria e qualidade do material didático, dos equipamentos e instalações e se certificar de que o instrutor é bem preparado;
  • Quando se tratar de software, verificar se o produto utilizado está corretamente licenciado. Isso pode evitar vários aborrecimentos.

Na contratação de serviços de terceiros, valem outros cuidados:

  • Ter na empresa pessoas com conhecimento dos conceitos envolvidos no projeto, para tomada decisões assertivas e embasadas. Por exemplo, uma equipe de Tecnologia da Informação (TI), aplicando soluções de segurança em projetos da área de produção, precisa entender as necessidades e restrições que o ambiente de automação industrial impõe. Isso porque, enquanto a TI priorizaria a segurança de dados, mesmo com bloqueio de aplicações, a equipe de automação industrial vai exigir continuidade operacional, que é seu modo seguro de trabalho, para permitir a operação de equipamentos em situações críticas;
  • Obter referências da empresa e confirmar a experiência dos profissionais que serão alocados para o projeto;
  • Definir em contrato o perfil da equipe de desenvolvimento e as regras para substituição de pessoal quando necessário;
  • Solicitar comprovação da capacitação técnica dos profissionais. Cada contratado deve ser treinado e qualificado para utilizar as tecnologias envolvidas no projeto;
  • Verificar se o contratado tem as ferramentas necessárias ao projeto. Quando o sistema entrar em operação, o contratado deve ter acesso a ferramentas próprias para suporte e manutenções;
  • Buscar estabelecer parcerias de longo prazo. O conhecimento da empresa e do seu método de trabalho pelo contratado facilita o projeto, reduz riscos e traz ganhos para as duas partes;

O investimento em planejamento e capacitação refletirá em economia de tempo, uso eficiente de recursos e maior qualidade do trabalho final, garantindo ganhos significativos para o projeto.


Márcia Campos é graduada em Ciência da Computação pela UNICAMP – Universidade Estadual de Campinas – com MBA em Gestão Empresarial pela FGV – Fundação Getúlio Vargas. Possui mais de 30 anos de experiência nas áreas técnica e comercial em automação industrial e é autora de diversos artigos especializados. É sócia e diretora Executiva da Aquarius Software